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MATANDO O FRANGO

     O Criador absoluto de todas as coisas, em sua infinita misericórdia, resolveu se revelar ao homem através da morte e ressurreição do seu filho amado, Jesus Cristo, bem como manifestando a sua vontade evidenciada na Bíblia, mas também tem usado homens e mulheres como canais de bênçãos sobre a terra.  Assim ele o fez quando permitiu que alguém me trouxesse uma realidade tão evidente, porém em uma frase aparentemente tosca e rudimentar: “Você precisa matar o frango”. Tal expressão ficou martelando meus neurônios durante dias e a compreensão exata dessa comparação trouxe um ensinamento valioso que precisa ser colocado em prática, mas não é tão simples assim. 
     No Evangelho de João, capítulo 3, versículo 3, há um processo que desencadeia a libertação, isso acontece quando alguém entende que está terminantemente perdido, enlaçado nas tramas do pecado, gerando arrependimento por tais práticas, trazendo o entendimento sobre a aceitação da pessoa de Jesus Cristo como libertador de sua alma.  Então, o Espírito Santo, aos poucos, com sua faca amolada, começa a decepar definitivamente a cabeça da ave, cortando a raiz contaminada do passado: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.
     Esse novo nascimento precisa acontecer dia após dia, na dura jornada sobre a terra, numa atitude de renegação constante aos prazeres que outrora traziam escravidão. Aos poucos as trevas vão se dissipando, a palavra de vida eterna, com letra escarlata, começa a ser escrita nas tábuas do coração e a mente renovada passa a refletir atitudes nobres.
     A boca de Deus, em II Coríntios, capítulo 5, versículo 17, declara: "Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram eis que tudo se fez novo”. Isso faz lembrar que o frango já foi destrinchado e que permanece imóvel sobre o chão, mas há momentos em que ele insiste em voltar a viver e, por vezes, como uma cena horrenda de terror, pode-se ouvi-lo cacarejar, caminhando sem cabeça no quintal de casa. Algumas pessoas esquecem que o animal já foi morto e tentam trazê-lo de volta, então passam a querer mantê-lo bem nutrido em sua granja. Aí mora o perigo, antes mesmo do sol raiar ele já começa a bater as asas, sonhando em ser um galo robusto.
    Não há como se livrar totalmente da sombra espessa do passado, mas sua força pode ser anestesiada pela nova caminhada de fé e embora essa luta desenfreada entre a carne e o espírito nunca cesse, vencerá quem estiver sendo mais bem alimentado.

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