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Mostrando postagens de Novembro, 2012

PAPO CABEÇA

Ontem resolvi organizar meu acervo musical. Do lado esquerdo, um armário recheado de obras jazzísticas, todos trancafiados, catalogados e subdivididos por instrumentos.

DOCE MADRUGADA

Enquanto a cidade, adormecida há muito tempo, arrastava seu sono morrinhento, meu espírito inquieto buscava a companhia dos acordes dissonantes para fazer uma viagem, sem sair da cama, rompendo madrugada adentro.      Por algumas horas vislumbrei o Rio de Janeiro, nas canções de Tom, Chico e Ivan; fervi sem sombrinha no frevo de Edu; os pés, salpicados de suor, roçaram a apoteose do samba, ao som de Leny, Djavan e Paulinho; os quadris cediam ao remelexo dos baiões e xotes que saiam da sanfona de Sivuca; o violão de Dori, soava manso, mesclado à voz de Nana; Joyce e Donato temperavam com salsa e bossa; as notas tronchas do jazz esticavam ainda mais a vontade de permanecer ali, refugiado nos aposentos da música. Sou notívago por natureza. Desde a mais tenra idade já flertava com a noite. Era exatamente nesse horário que meu corpo, tomado por uma energia produtiva, lecionava, lia, escrevia, assistia aos inúmeros filmes, biritava, petiscava e percorria os bares da cidade morena que dese…