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CONVIVÊNCIA PACÍFICA

     O convívio com a corrupção vem de longa data e não se limita apenas na questão política, engloba todos os setores.
     Quando esse termo é mencionado logo vem à imagem ilicitudes de grande porte, tais como: lavagem de dinheiro, desvio de verbas, vantagens indevidas, apoderação de bens públicos etc, mas a corrupção tem se alargado em grande escala e se avolumado de tal forma que já faz parte do cotidiano. Sua manifestação pode estar presente em momentos corriqueiros: boicotar uma simples fila de banco, adquirir produtos piratas, fazer ligações gratuitas de um orelhão com problemas, falsificar a assinatura para que um determinado pai não saiba das notas baixas do filho, enfim, esse festim com a ilegalidade torna-se algo comum.
     Os que não compartilham com essas atitudes fraudulentas estão fadadas ao fracasso, ainda não aprenderam a viver de forma ousada, sofrerão as consequencias de ficarem ultrapassados. Para sobreviverem nesse campo minado precisam se adequar ao “esquema”, abandonar os princípios éticos e morais para se aconchegarem no recanto dos espertalhões. Assim é a lei da vida moderna: “O mundo é dos mais espertos”. Esse é o ditado popular que rege as regras da sociedade.
     Diante de tal realidade, a consciência torna-se petrificada, imune aos padrões divinos. Os inocentes andam na contramão desse sistema avassalador e aos poucos precisam barganhar. A vida é curta e não pode ser desperdiçada com a frágil dignidade.
     No Brasil, tais deteriorações não são mais encaradas como escândalos. Os menos favorecidos suportam toda a pressão, amordaçados pelo medo. O descaso político já é um perfil definido e o massacre prevalece de forma brutal, basta aceitar a situação e escorar na esperança de dias melhores.
     “A vida é um eterno baile de máscaras”, assim afirmou Machado de Assis. Para Rui Barbosa, “Quanto mais conheço os homens, mais admiro os cães”. Essa é a pintura projetada na tela do mundo. As cores vivas da corrupção há muito tempo já embotaram a honestidade. 

Comentários

  1. Surfar pelos textos e poemas do atrativo Blog do Poeta Beto é experiência valiosa. Ele está sempre a nos motivar na persecução dos valores em sintonia com as belezas da verdadeira arte, da liberdade, da paz, da justiça e do amor. No entanto, como todos nós o poeta também é humano e passível de deixar se levar por momentos de indignação.

    É como vejo o texto “Convivência Pacífica” em que ele faz concesões perigosas, as quais, de forma alguma, guardam qualquer sintonia com a mensagem insculpida na vasta maioria dos seus escritos. Ora, como pode a vida ser “desperdiçada com a frágil dignidade”? A assertiva do escritor de fama de que “A vida é um eterno baile de máscaras”, nada mais é do que uma constatação óbvia do mundo que nos rodeia, porém, mais do que isto, ela é antes de tudo uma sutil advertência para aqueles que acreditam no equivocado adágio de que “O mundo é dos mais espertos”.

    Rui Barbosa por sua vez, em sua monumental peça literária Oração aos Moços, nos ensina que diante desse estado degenerativo dos costumes por que passa a nossa nação brasileira, o que nos resta como saída é a “cólera santa, a indignação que ilumina”, pois, arremata o grande jurisconsulto e um dos maiores exemplos de dignidade em nossa pátria: “quem, senão ela, banir da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino?”

    Caro Poeta, sigamos em frente em nossos propósitos “utópicos” de ideais firmes e em consonância com o bem, sem jamis ter medo da solidão que muitas vezes nos assalta por não deixar-nos curvar às “verdades” do rebanho fascinado.

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