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SÓ O DONO GAVA O TOCO

Andava como quem vende ouro
Sapato lustrado, camisa engomada
Desembestava explicar pra que serve
O que só reluz pro olho meu, a arte.
Demorei desaprender
Pelo que a salvação veio dia desses
Disse um menino sabido:
“Só o dono gava o toco”
Embrenhei macega adentro
Todo desarranjado
Não topo com gente mais
No muito é queixada e calango
Do resto só eu, a catinga por trás da moita
E bugio no oco dum pau podre
Arremedando o fazimento
De repente um arrepio fino no pé da nuca
Era o poema se espremendo pra nascer
Agarrei a liberdade pelo rabo
E saí assobiando, todo entanguido
Admirado com a obra pronta.

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