quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

QUEIXUME



Não sei pra que toda pluma
Tanta banca, tanta pompa
se escanchada na garupa
rindo da mea culpa
é a palavra tosca quem se inflama.

Se quero que lodo vire rosa
Pavão seja peba
E carvão, pérola
Quem se importa?
Se as pedras que trago no embornal
É o que mais me encanta.

A rima que se lasque
O Aurélio que se dane
Há muito já rebolei na ribanceira o Bilac
O Dias, o Casimiro, o Alencar
Eu quero é um Ménage à trois
Com o torto e o traste.

Prefiro a companhia das palavras tronchas
Das que saem sem black tie
E fazem do chão sua cama
Se lambuzam de poeira e lama
E não sabem se noite é dia
Ou se afago é açoite
Sei apenas que poste e tolete são poesia.

Não dou trela se ela tem diploma
Até torço a cara quando me acena
E diz estar no altar feito dama
Mas se cambaleando de tão bêbada
Cai num pé de guanxuma e diz que é puta
Apenas ergo sua saia e ela já está pronta.

Um comentário:

  1. O célebre paladino das artes e da poesia moderna disse que “versos não se escrevem para leitura de olhos mudos”. Assim é que não emudeço, ao contrário me inflamo diante da impulsão lírica do Poeta Beto. Todavia, sem verve nem versatilidade na área poético-literária, receio não ser capaz de sondar aqui as motivações mais profundas e o ânimo do poeta.

    Quiçá tenha ele apenas tentado, em exercício simples, adentrar a arte da poesia moderna, aquela descompromissada das regras inflexíveis do tradicionalismo cultural tão sistematicamente defendido pelos “farautos”. Ou talvez tenha ele escrito QUEIXUME à maneira do arauto da polifonia poética que afirma em seu Prefácio Interessantíssimo: “Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo que meu inconsciente me grita”.

    Mas seja lá como for, deixemos que o poeta dê azo aos seus arrebatamentos líricos e voe livre na descoberta dos trieiros sinuosos da vida. Afinal, quem sou eu para adentrar e sondar os foros mais íntimos da inspiração poética do vate? A minha verborréia nada mais é do que um desvario.

    Um dos meus escritores preferidos, filósofo e também cultor da arte poética, autor de “Canto do Homem Novo”, insiste em nos falar de uma nova era, a Era Cósmica ou Era do Espírito. Diz ele que com o advento dessa nova fase da humanidade, as artes passarão por um profundo processo de reformulação em que nos permitirá vislumbrar com mais clareza os seus objetivos mais sublimes.

    Aprecio demais este ponto de vista dele sobre a POESIA e o POETA: “A poesia, como sabemos, é também uma revelação. Poeta é profeta. A poesia traz em si um estímulo ao espírito, à alma, abre as perspectivas da beleza no sentido não somente da música das palavras ou da significação, ou da forma de expressão que cada poema tem, mas também a mensagem interna que ela traz para a compreensão da beleza da vida, das coisas, dos seres, de tudo quanto nela perpassa, como se fossem verdadeiras colorações fluídicas perpassando numa brisa.” Do admirador, Tonheiro.

    ResponderExcluir