terça-feira, 26 de julho de 2011

TUDO EM SEU LUGAR

     A Música Popular Brasileira é um poço fundo de ilusões. Em suas águas cristalinas e infindas, cada banho é uma sensação de frescor diferente. Ela instiga a vontade de beber cada vez mais dessa fonte. Muitas são as vezes em que preciso retirar toda essa poeira vermelha da vida que insiste em manchar minha tez. Então, apenas ligo o chuveiro sonoro e as águas descem como torrentes.
     O título desse artigo tem como base o poema “Cada tempo em seu lugar”, do exímio compositor, Gilberto Gil. Uma obra-prima. Receba os respingos dessas gotas límpidas:

Preciso refrear um pouco o meu desejo de ajudar
Não vou mudar um mundo louco dando socos para o ar
Não posso me esquecer que a pressa
É a inimiga da perfeição
Se eu ando o tempo todo a jato, ao menos
Aprendi a ser o último a sair do avião

Preciso me livrar do ofício de ter que ser sempre bom
Bondade pode ser um vício, levar a lugar nenhum
Não posso me esquecer que o açoite
Também foi usado por Jesus
Se eu ando o tempo todo aflito, ao menos
Aprendi a dar meu grito e a carregar a minha cruz

Ô-ô, ô-ô
Cada coisa em seu lugar
Ô-ô, Ô-ô
A bondade, quando for bom ser bom
A justiça, quando for melhor
O perdão:
Se for preciso perdoar

Agora deve estar chegando a hora de ir descansar
Um velho sábio na Bahia recomendou: "Devagar"
Não posso me esquecer que um dia
Houve em que eu nem estava aqui
Se ando por aí correndo, ao menos
Eu vou aprendendo o jeito de não ter mais aonde ir

Ô-ô, Ô-ô
Cada tempo em seu lugar
Ô-ô, Ô-ô
A velocidade, quando for bom
A saudade, quando for melhor
Solidão:
Quando a desilusão chegar  

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