segunda-feira, 25 de julho de 2011

ETÉREA

     Creio que os sons já soavam no ventre da minha mãe. Lá dentro ela ensaiava para nascer comigo. Hoje vive aqui, latente, assombrosamente viva dentro de mim. Obrigado, Deus, por me conceder esta música que nunca tem fim.

Não posso tocá-la
Mas a sinto sempre aqui
Companheira das horas amargas
Redoma que guarda meus anseios
Asas do refúgio e da necessidade

Não tens nome, nem cheiro
Existe apenas
Às vezes quieta, tresloucada
Mil faces rarefeitas
Embutidas na dor e na saudade

Bússola norteadora dos meus passos
Notas perfeitas e eternas
Correnteza que arrasta a solidão
E me arremessa nas rochas
Na vazante do descanso

Minha irmã verdadeira
Frenesi, mistério, delírio
Êxtase, febre, loucura
Vestígios de sonho e vida
Cúmplice do prazer e da ternura

Convidas-me para dançar
Uma valsa, um tango
Ou embriagante milonga
Trôpego me desmancho
No silêncio de sua pauta solta no ar

Sem ritmo ou compasso
Apenas sigo meu destino
Solto em teus braços
Ó encantadora música
Sopro divino onde me refaço

Nenhum comentário:

Postar um comentário