terça-feira, 14 de junho de 2011

GERANDO EMPREGO - segunda parte (Conto do Livro "As presepadas de Dalai", 2008)

     Bronson foi outra vítima da generosidade de Dalai. Vindo de Pedro Gomes, cidade pacata do interior de Mato Grosso do Sul, o primo estava desamparado, não conhecia muitas pessoas na cidade grande e havia encerrado sua carreira de jogador de futebol. Não demorou muito para que Dalai também desse “aquela forcinha”. A estratégia era a mesma: sair nas baladas e apresentar-lhes a moçada, assim ficaria mais fácil encaixá-lo nesse novo universo.
     Mesmo no agito, rodeado de amigos e, principalmente, “amigas”, Dalai não descuidava, sempre atento às reações de Bronson, observando suas maneiras, trejeitos, manias, querendo buscar algo que combinasse com seu estilo. Seu coração amolecia quando se punha a pensar que o tempo estava passando e era necessário arranjar-lhe alguma ocupação.
     E aí, Bronson, já arranjou algum esquema? – incitava Dalai.
     - Tranquilo, está tudo sob controle.
     Dalai abria aquele sorriso maroto e falava em pensamento: “garoto esperto, puxou a mim, só dei um empurrão e ele já está com aquela pegada violenta. Não nega a raça!”.
     Dalai apresentou-lhe uma linda morena, fez uma média com os dois, soltou algumas pilhérias, quebrando o gelo da timidez, deu uma piscadela para o Bronson e se ausentou por algumas horas, deixando-os à vontade. Não demorou muito para que o celular do mestre começasse a tocar sem parar, de tanta insistência, Dalai resolveu voltar ao local e foi surpreendido por uma cena hilária: A moça já estava atracada com outro rapaz e sob a mesa de Bronson, três tubaínas, uma bomba, uma cuia de chimarrão, uma paçoca, uma foto do Bimpo, seu cachorro de estimação e um caderno de 12 matérias.
     - Que marmota é essa, Bronson? – indagou Dalai, já engasgando de tanto rir.
     - Está tudo sob controle, já anotei o telefone da morena. Ela gostou muito de mim.
     Dalai folheou o caderno e percebeu o potencial do primo em anotações, todas muito organizadas, imediatamente um facho de luz invadiu seus neurônios:
     - Você já está empregado, Bronson, as empresas telefônicas precisam de uma pessoa com esse talento. Nunca vi ninguém anotar tantos telefones em tão pouco tempo.

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