terça-feira, 25 de janeiro de 2011

RÉPLICA DE DEUS

     A ninguém foi dado compreender a intensidade do amor de mãe, nem os filhos chegam próximo a esse entendimento, é algo em secreto, uma conversa com o Criador, um sentimento nobre que só foi despejado no coração dela, com pura exclusividade.
     O sacrifício de Jesus na cruz pela humanidade é incomparável, mas nesta terra pode-se, grosso modo, até aproximá-lo ao amor de mãe. Esse gesto de pura bondade nos constrange, pois independe de merecimento ou de algo em troca. Todas as declarações de amor nunca serão suficientes para retribuir o que se recebe a vida inteira.
     Mãe querida, eis aqui um belo poema de Carlos Drummond de Andrade, intitulado: “Para sempre”. O título revela uma verdade absoluta, pois sei que seu amor sempre me acompanhará, mesmo que nessa terra a senhora já não esteja mais presente, mas sei que ele estará sempre latente, inflamado, vivo dentro de mim por toda a eternidade.

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

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