terça-feira, 25 de janeiro de 2011

REMOVENDO AS ESCAMAS

    Que sentindo tem acordar todos os dias? Qual a graça de viver nesse mundo? Esses são alguns dos questionamentos que têm feito as pessoas perderem algumas características peculiares de humanos, deixando os sentidos e sentimentos amortizados numa atmosfera de puro desencanto pela vida, tornando os dias da existência numa velha roupa desbotada pelo tempo.
     O desassossego tem sido o maestro do século XXI, a cadência rítmica que rege a pós-modernidade é a pressa agonizante da busca frenética pelo sucesso e nesse compasso febril as almas vão se enferrujando, desprendendo-se do sonho de Deus: a contemplação de sua criação e o propósito de adorá-lo. As famílias estão esfaceladas e já não podem realizar suas refeições com todos os membros unidos, pois a televisão, o computador e outros aparatos tornaram-se agregados a esse convívio, muito mais importantes que os laços sanguíneos, roubando a cena da comunhão. Os elementos da natureza já não fazem a menor diferença, tornaram-se comuns demais para serem apreciados. Por que motivo admirar o entardecer, andar descalço sobre as areias da praia, vislumbrar a lua cheia e todo seu mistério, se todas as noites ela está ali? Tomar um banho de chuva e apreciar o canto dos pássaros, sentir o frescor do vento desarrumando os cabelos, notar a beleza dos beija-flores e todo seu caso de amor com elas, tudo isso não passa de uma tremenda perca de tempo. Há mais coisas para se fazer, terras para conquistar, cartões de crédito para adquirir, carros importados para comprar, academias para modelar o corpo, viagens para realizar. O arco-íris que deixe para surgir outro dia, hoje não há tempo de contemplá-lo e as borboletas que aterrizem em outro local, agora os ombros não podem servir-lhes de pouso. Se Deus quiser um pouco de atenção terá que esperar um outro momento.
     Se todas essas coisas evidentes são esquecidas, quem dirá o sacrifício de Jesus na cruz do calvário! A humanidade está cega, tateando os muros caiados da existência, andando de forma trôpega, cambaleando pelas veredas da indiferença. A insensibilidade é o tempero que está sendo despejado nos pratos atuais, uma comida insossa que empapuça o desejo de se alimentar. Para alguns, a morte é a única fuga para escapar do ordinário.
     Só há uma forma de fazer os olhos voltarem a brilhar, lançando as escamas ao chão: aceitando a Cristo como Salvador da sua vida. Essa atitude traz renovação, vontade de respirar o eterno, desejo de soltar o riso frouxo da pura alegria, derretendo o gelo do coração e perfumando os dias. Com essa companhia gloriosa do Senhor, o relógio trabalha compassadamente, os relacionamentos são estreitados pela força do amor, as palavras adoçam a boca, a bússola volta a mostrar a direção certa, o fim do novelo, o céu.

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