terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O FRANGO QUE DEIXA O HOMEM EM FRANGALHOS

     No artigo anterior começou a análise filosófica a respeito do passado, tendo a figura do frango como ilustração para uma maior compreensão, mas toda essa análise ainda não chegou ao fim, faltando agora a reflexão sobre o frango mais difícil de morrer: o da área sentimental.
     Ao atravessar a fase da inocência, deixando a ingenuidade para trás, toda humanidade começa a viver para construir sua granja, a fim de empoleirar seus desejos. Nesse ambiente as vasilhas estão sempre cheias de água fresca, os arames reforçados para que não haja fuga, a quirera é jogada com carinho para proporcionar-lhes uma alimentação saudável, então quando a tarde cai e elas começam a se ajeitar para dormir, é momento de ficar do lado e fora, só admirando o crescimento das aves.
    Vez ou outra, quando a fome aperta, surge a necessidade de transformá-los no prato principal, então sem nenhum resquício de mágoa, é hora de abrir a porta da granja, arrastar qualquer um pelo pescoço e levá-lo para o abate. Mas dentre eles, há um que possui cuidados especiais, é nutrido com grãos selecionados, água mineral no recipiente de prata e dormitório cinco estrelas, proporcionando maior conforto para um desenvolvimento de qualidade. Os outros são raquíticos perto de sua pompa. Essa é tratada como ave de estimação, seu nome é afetividade. Descarta-se qualquer possibilidade de levá-la para o almoço, pelo contrário, a intenção é deixá-la ali, sempre viva, exposta como uma roupa de gala na vitrina. Enquanto os outros vão sendo levados ao fogo, entre marinadas em suco de laranja, mel e gengibre, esse permanece reinando no poleiro, ostentando sua postura de destaque, com suas penas brilhantes, assim como um pavão em tempo de carnaval.
     Quando Jesus surge nessa história, aí vem o grande confronto. Sua presença gloriosa faz com que todas as sombras do passado passem a ter a mesma insignificância, então todos os frangos se igualam e precisam se tornar em saborosa comida quente na panela de barro. Um novo altar é levantado e a granja vai abaixo. Jesus Cristo é o comprador que chega até à fazenda e propõe pagar um preço muito alto para possuir toda a propriedade. Às vezes queremos vender apenas uma parte da terra e deixar a granja fora do negócio. Mas quando Ele chega não tem meio termo, em Seu contrato há apenas uma cláusula: entrega total dos bens.
      Portanto, quando a vontade de requer o frango do sentimento bater a sua porta, caro leitor, lembre-se: Jesus já o levou e isso não pode mais lhe atormentar. Essa compreensão precisa ser fortalecida na consciência, a fim de que ele não se transforme em um galo sem relógio que canta a qualquer hora, em qualquer lugar.

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