quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

NÃO SAIA DO BARCO

     Há uma história bíblica presente no evangelho de Mateus, capítulo 8, entre os versículos 24 e 27 que traz uma lição de vida para os dias atuais, momento digno de reflexão: “E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. E eis que se levantou no mar tão grande tempestade que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo. Os discípulos, pois, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Salva-nos, Senhor, que estamos perecendo. Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?"
     Assim é a atitude da humanidade diante das ondas volumosas que tentam afogar os tripulantes tomados pelo desespero, pois a consciência frágil esquece da presença gloriosa de Jesus. Em alguns casos, a vontade é de abandonar a embarcação e tentar nadar freneticamente à procura de uma ilha de descanso, pensando ter vencido o problema, deixando-o para trás, fugindo da realidade trágica que precisa ser encarada.
     O certo é que Jesus está ali e os ventos lhe obedecem, a fúria do mar torna-se um lago manso e sereno e a calmaria volta a reinar, mas para que isso aconteça é necessário permanecer em alto mar, navegando sobre a situação caótica, para que a contemplação do milagre seja presenciada dentro do próprio barco, pois dentro dele temos onde escorar e o assento, mesmo que encharcado, ainda permanece como plataforma e suas laterais ainda servem de apoio para os braços trêmulos. A fúria das águas parecem não ter limites, mas não podem despertar o sono daquele que tem o domínio absoluto sobre a força da natureza, mas infelizmente seu momento de descanso é interrompido pela falta de fé dos demais companheiros de viagem. O desespero deveria ter sido substituído pela confiança convicta de que era momento também de dormir e descansar, enquanto o barulho ensurdecedor das ondas seriam ouvidas como gotas de orvalho que caem de forma pacífica sobre as ervas do campo.
     Ao despertarem, restaria uma vaga lembrança de terem sonhado com algo assustador, mas não poderiam definir com precisão o pesadelo, sabiam apenas que agora estavam diante do cenário encantador e convidativo das águas que o chamavam para um momento de pesca, enquanto as gaivotas sobrevoavam suas cabeças. Então, cada um pegaria seus apetrechos e arremessariam seus anzóis. Depois de algum tempo sentiriam a falta do principal tripulante: JESUS. Ao procurá-lo o avistariam do outro lado, em terra firme, que de longe acenava, dizendo:
      - Podem vir, encontrei um lugar seguro para vocês.
     Um dos navegantes perguntaria:
      - Como o Senhor foi parar aí, por acaso as ondas o arremessaram?
      Ele abriria um sorriso e responderia:
      - Não, simplesmente enquanto vocês descansavam resolvi andar por sobre as águas.

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